Fui visitar um blog de uma pessoa. Ela mora em São Paulo e eu irei para lá fazer o doutorado no próximo ano. Ir visitar o seu blog foi uma forma de visitar São Paulo através desta pessoa, já que ela escreve, entre outras coisas, sobre seu cotidiano nesta cidade:”Crônicas, Ideias e Devaneios”. Esta visita fez parte da minha preparação para ir para um outro espaço, sair do meu mundinho mineiro entre montanhas. Quando vi em “Crônicas, Ideias e Devaneios” uma mulher de mais ou menos 40 anos, dizendo, escrevendo e publicando que “estava apaixonada”, com tudo que isto dá direito à uma mulher de sentir, foi que me dei conta: nasci na roça e moro entre montanhas com tudo que isto significa. Tive que criar coragem para escrever um comentário no blog, dizendo da minha admiração pela soltura e leveza com que ela escrevia sobre coisas tão importantes para nós mulheres.
Ao enviar a mensagem, havia uma pergunta no site: gostaria de criar o seu blog? Esta ideia não me saiu da cabeça. Comentei com minhas filhas (23 e 24 anos) para avaliar um pouco a minha ideia. Comecei a pensar sobre o que escreveria. Sobre educação?(tema do meu trabalho) Não. Isto já ocupa muito espaço na minha vida. Mais do que deveria.
Me sinto uma mulher feliz: “gosto de tudo que tenho, embora não tenha tudo que gosto”. Pensei que poderia aprender a falar mais disso: das minhas conquistas e busca da felicidade; da minha vida além do estudo e do trabalho, embora estudo e trabalho sejam também conquistas importantes para a minha felicidade. Preciso aprender a falar mais disso. Quero ampliar o meu espaço de análise, ao invés de terminar com ele. Afinal, como disse um jovem professor, do qual sou aluna: a vida acadêmica, o trabalho não é nossa vida, é apenas uma parte dela. Decidi subir as montanhas que me cercam. Acho que minha analista vai gostar!!!! “Subindo montanhas” ou talvez “vencendo montanhas”. Criei este blog com a ajuda da minha filha.