quarta-feira, 10 de novembro de 2010

A campanha eleitoral não acabou...

Como todas as outras eleições, fui votar feliz e desejosa de que o meu voto fosse vencedor. Mas um ponto já era positivo: acabaram as manifestações de baixarias e de agressividades marcantes na campanha eleitoral presidencial no Brasil em 2010. E mais, acabara o risco de aparecer mais um “ataque”, mais uma “denúncia”, mais uma “armadilha” de campanha para surpreender a todos. A ruindade do debate não impediu novamente que o País enfrentasse com serenidade e espírito cívico o processo eleitoral, conforme bem avaliou o Profº Marco Aurélio Nogueira*.

No decorrer da campanha, tentei entender os argumentos de alguns amigos ou parentes “adversários políticos” e apresentar meus argumentos. Passado o resultado das eleições e o primeiro discurso da candidata eleita, supunha eu, ter condições mais tranquilas para continuarmos conversando sobre o tema, já que a situação eleitoral estava definida. Um querido eleitor que não votou na candidata eleita fez o seguinte comentário: “Bom o discurso! Gostei...” Uma também querida e notável eleitora que, como o outro, não votou na candidata eleita diz: “Não foi ela que fez...”

Fiquei pensando: como as imagens dos ou das candidatas são construídas ou destruídas pela mídia, e quão diverso e complexo é a questão da identidade de um eleitor ou eleitora com determinado candidato ou candidata ou mesmo com um partido político. E ao contrário do que supunha, a campanha não acabou... ou pelo menos seus efeitos não acabaram, se é que vão acabar um dia!

* Autor do artigo: "A sociedade superior à política" - O Estado de São Paulo - 23/10/2010